Haitianos em Corumbá, MS

Nova onda de haitianos está vindo do Chile para o Brasil com a ajuda de coiotes

por Leandro Barbosa

publicado originalmente em The Intercept Brasil

O PERCURSO DO CHILE ao Brasil, de mais de 3,5 mil quilômetros, durou cerca de uma semana. O trajeto, feito de ônibus por um grupo de jovens haitianos, que cada vez mais deixam o país devido às mudanças na lei local de imigração e crise na economia, cortou todo território boliviano até a fronteira com Corumbá, no Mato Grosso do Sul. Ao desembarcarem, na procura por um táxi para entrar na cidade, foram abordados por um chileno, branco, com uma tatuagem que circulava todo o braço e que fazia sinais indicando que necessitavam de uma autorização para prosseguirem. Ele cobrou US$ 100 de cada um para resolver o problema – o sonhado carimbo em seus passaportes. O que não esperavam é o que destino deles seria uma penitenciária da cidade sul mato-grossense.

O homem, que dizia ser uma espécie de despachante, um facilitador dos processos burocráticos para a emissão de vistos, era, na verdade, um coiote. Comuns na fronteira entre o México e os Estados Unidos, os coiotes são pessoas que lucram “atravessando” estrangeiros de forma ilegal para outros países. O carimbo era falso e foi facilmente identificado pela Polícia Federal quando Jean Milando Merius, Woldy Philius, Dumarck Ketson e Julio Jules entraram no Brasil. Ao invés de encontrar seus familiares, trabalho e iniciar uma nova história no país, eles foram presos, acusados de falsificar documentos.

Saíram da prisão somente cinco meses depois, em junho, graças à iniciativa da Defensoria Pública da União, órgão que defende réus que não podem pagar por um advogado particular. Com o apoio dos defensores, entraram com um pedido de refúgio que permitiu que fossem liberados e encontrassem suas famílias no sul e sudeste do país – os passaportes, no entanto, seguem retidos pela PF.

 Continue lendo a reportagem no The Intercept Brasil.
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Léo Barbosa • 28/07/2019


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