nannete

Das lembranças, aprendizado

por Júlia Falconi, para o História Incomum

Está tudo tão vivo como se fosse hoje. Nem parece que foi há 70 anos. Nanette Konig petrifica-se ao lembrar dos tempos vividos em um campo de concentração. Outrora época que arregala os olhos da sobrevivente, como se um fantasma de seu passado viesse ao seu presente, aterrorizá-la. Ela tenta balbuciar as primeiras palavras que encontra. Remoer um período tão devastador para uma pessoa judia beira o desumano. Ela encontra coragem: “eu falo por todos aqueles que não estão mais aqui para falar, para que eles também sejam lembrados”, insiste dona Nanette.

– A senhora quer um copo de água, Dona Nanette?

Veja bem, você é nova, talvez não compreenda o que foi esse horror. Eu não tenho mais ninguém, sabe? Tenho uma família que construí, nova. Mas isso não quer dizer que eu não sinta falta dos meus pais, dos meus irmãos…

“Nasci no dia 6 de abril de 1929 em Amsterdã, Holanda. Meu pecado foi nascer em uma família judia”, segurando uma pasta com cartas e fotos, Nanette Blitz Konig, sobrevivente do Holocausto nazista, começa a contar um pouco de sua vida. Nanette foi a única de sua família, que sobreviveu ao campo de concentração que tirou dela pai, mãe e irmão. “Nada, nem o vazio da morte, me parece mais aterrador do que a sensação de estar completamente sozinha em um campo de concentração”, é assim que Nanette se lembra dos dias em que permaneceu dentro do campo nazista. Com os olhos marejados, começa a relembrar sua infância, tirada dela ainda bem cedo, quando os Alemães invadiram a Holanda – onde Nanette e sua família moravam – e separaram os judeus do resto da sociedade.

“As vezes penso em momentos de minha infância, recordo-me de um tempo onde haviam meu pai, mamãe, meus irmãos…”, ela apanha uma foto um pouco apagada da família, o momento registrado era, provavelmente, uma celebração.

– É seu aniversário, Dona Nanette?

“Não sei dizer…São lembranças tão distantes que me esforço para que os tons acinzentados das fotos que guardo não se apaguem ainda mais”, a voz embarga, o soluço interrompe a frase. Faz-se um longo silêncio para que Dona Nanette possa recobrar a voz. Em um canto, na sala, observo uma foto em preto e branco, gasta nas bordas, não reconheço os rostos que sorriem na imagem congelada.

– Dona Nanette, são seus pais, na foto?, aponto.

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Martijn e Helene, pais de Nanette | Foto: arquivo pessoal

“São. Ah, como eram lindos! Eram felizes! É a foto do casamento de mamãe e papai”, agora o sorriso substituí o aspecto carregado, a expressão muda. Vem-lhe a memória momentos de sua infância, com seus pais, seus irmãos. O irmão mais novo, Willem, nasceu com problemas cardíacos, lutou pela vida bravamente até que, aos quatro anos, o coração não aguentou, parou. “Foi a primeira grande morte de minha vida. Mamãe estava preparada. Um dia, lembro-me, me disse que em minha época já haveria uma cura para a doença de Willem, então eu não tinha com o que me preocupar”, conta. Nanette teve uma infância feliz, leve, livre, normal. Seus pais a incentivavam a estudar, tudo corria bem. A segregação ainda não havia começado, o que significa que cristãos e judeus ainda estudavam juntos.

“Era tudo bem calmo, até demais, eu era uma menina bem levada. Acho que por ser tão feliz naquela época, que me lembro de novembro de 1938. Foi quando ocorreu a Noite dos Cristais”, novamente a voz começa a desaparecer, os olhos fixam-se em uma pasta mais adiante, com memórias do Holocausto, faz-se mais um tempo de silêncio.

A Noite dos Cristais, em que as propriedades dos judeus foram saqueadas e sinagogas queimadas por toda Alemanha, era o começo de tudo. Hitler começava seu plano de segregação racial, iniciava seu plano de expulsar e exterminar os Judeus. Nannete costuma dizer que é preciso contar o que viveu, para que toda a trajetória judaica, suas lutas e suas dores, não seja apagada pelos anos.

“Veja bem, menina, você deve ter a idade de uma de minhas netas, e ela costuma me dizer o seguinte: eu sou a história. Estar aqui hoje e poder contar tudo que aconteceu comigo para você, é a forma mais real de registrar que o Holocausto de fato aconteceu”. Foi apenas 70 anos após o fim do Holocausto, que Nanette se sentiu segura para contar o que testemunhou em Bergen Belsen.

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Ilustração: Thomas Campi

Maio de 1940

Adolf Hitler, ditador alemão e líder do Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães, Nationalsozialistische, no português conhecido como Partido Nazista, decidiu invadir a Holanda com a Luftwaffe (Força Aérea Alemã) e em poucas horas, já dominava importantes pontos do país.

“O Führer visava a Holanda, devido a proximidade com a França, país inimigo da Alemanha Nazista. Foi quando a Holanda não resistiu, o governo holandês se rendeu em cinco dias. Foi o começo do fim. Nós, judeus, perdemos a proteção holandesa, fomos entregues nas mãos nazistas”, mais uma vez trêmula, agora esboçando raiva e mágoa, a voz da sobrevivente embarga.

– Foi aí que a senhora foi levada ao campo de concentração, Dona Nanette?

“Não, nós fomos separados da sociedade. Me tiraram do meu colégio e me levaram a um outro, apenas para judeus. Você já deve imaginar que nessa altura da história tudo na minha vida mudou. Eu não podia mais frequentar os mesmos lugares de antes, porque eu era judia, marcada com estrela de Davi. Tínhamos um toque de recolher, não podíamos circular junto com os arianos e estudávamos separados. Era como se fossemos vermes, contagiosos, perigosos”, dessa vez, Nanette assume um tom triste, seus olhos esverdeados, começam a dar espaço às lágrimas novamente.

Em 1941 houve a criação de 25 colégios judaicos na Holanda, o que faria com que Judeus estudassem separados dos demais. Nanette foi estudar no Liceu Judaico, foi lá que conheceu a garota que viria a ser famosa por seu diário, relatando momentos do Holocausto. “Anne era bonita, cativante, chamava atenção por suas histórias e frases inteligentes”, sorrindo ao lembrar-se da amiga, Nanette apanha uma foto sua, tirada no colégio, igual a de sua amiga, Anne Frank. “Quando comecei a estudar lá, eramos 30 alunos, pouco a pouco eles sumiam. Me dei conta de que até os professores começaram a não ir mais. Quando voltei a contar quantos de nós haviam sobrado, consegui chegar aos 16″.

Três anos depois, enquanto dormiam, batidas bruscas na porta interromperam o sono da família. Era a realidade que batia: uma tropa nazista levou Nanette e sua família para longe do que, até então era seu lar. O primeiro destino foi Westerbork, um campo de transição no nordeste da Holanda, na província de Drenthe. “Chegando lá, se via um grande corredor com barracões dos lados. Os soldados fortemente armados guardavam o campo em torres, era uma prisão. Mas ainda era um lugar melhor para se viver do que os verdadeiros campos de extermínio”, lembra-se Nanette, agora um pouco apressada e ansiosa para contar o restante da história.

“eu falo por todos aqueles que não estão mais aqui para falar, para que eles também sejam lembrados”

A primeira coisa era registrar-se. Após o registro, eram encaminhados para os barracões, Nanette e a mãe foram para o alojamento feminino, enquanto o pai e o irmão foram encaminhado ao masculino. Apesar de ser um campo de transição, Weterbork lhe parecia um lugar confortável. Todos os refugiados se esforçavam para que ali fosse um lar para todos. “Era uma vida relativamente calma. Eu já tinha 14 anos e fui obrigada a amadurecer mais rápido, as circunstâncias tiraram de mim, minha infância”. Devido às condições precárias de higiene, o campo era tomado por piolhos, os dias em Westerbork se tornaram uma incógnita para o futuro: o que aconteceria depois?

14 de fevereiro de 1944, Nanette Blitz e a família apareceram na lista de deportação. Deveriam se apresentar no dia seguinte para o trem da manhã. O destino? Já havia sido traçado: Bergen-Belsen. “Senti um certo alívio, porque sabia que Bergen-Belsen era um dos campos de concentração considerado com maiores condições que os demais”, com um aceno em negação com a cabeça, Nanette começa a rir em deboche. “O alívio durou pouco. Bergen Belsen era horrível em seus detalhes”, vasculhando as imagens na memória, a holandesa perde a voz, olha fixamente para um mapa, dentro da pasta, que lista os campos de concentrações espalhados pelo território alemão.

A viagem também foi de trem, mas dessa vez ele os levava para o território inimigo: o destino era na Alemanha. Os soldados da Schutzstaffel, ou SS, os escoltavam para não haver o risco dos judeus fugirem. Para fazer parte da segurança nazista, era necessário ser um membro da raça ariana e ser leal ao Partido Nazista, não é à toa que o lema era “Minha honra se chama lealdade”.

No dia em que Nanette e a família foram levados à Bergen-Belsen, o comandante da SS passou a ser Heinrich Himmler, e se possível for, Himmler foi alguém tão perverso quando o próprio líder, Hitler. “Os soldados tinham aparência carrancuda e olhar sombrio. Para mim, com 14 anos na época, apenas uma menina, não dava para imaginar as atrocidades que eles faziam. Embora eu tivesse medo só de olhar”, Nanette aponta para uma cicatriz em sua perna que ganhara ainda no campo de concentração, um corte que parecia tão profundo quanto as marcas que o Nazismo havia lhe deixado.

“Ao desembarcar do trem, senti medo, senti um frio invadir meu corpo. Era como estar caminhando em direção à minha própria morte. Os soldados tinham Cães, ferozes, prontos para matar quem saísse da linha. Me dei conta de que Bergen Belsen era, na verdade, horrível. Contrariando o que eu pensava”, lastima-se.

Dentro de Bergen Belsen

campi

Ilustração: Thomas Campi

Inicialmente, os prisioneiros eram mortos em câmaras de gás, com monóxido de carbono gerado por motores a diesel. Porém, os nazistas desejavam maior eficiência e agilidade no extermínio Judeu, principalmente por superlotação dos campos de concentração. Encontraram, então, a fórmula de matar mais rápida: gás Cyklon B. Os campos de concentração eram subdivididos em quatro campos menores, o de Bergen-Belsen eram: Campo Neutro, Campo Especial, Campo Estrela e Campo Húngaro. O Campo Estrela, onde Nanette e sua família ficaram, devido a constarem seus nomes na lista de imigrantes, o subcampo era maior que os demais. Nesse Campo os Judeus deveriam viver em melhores condições e aparência, até mesmo porque serviriam como “troca” alemã.

Dentro do alojamento, os judeus do Campo Estrela poderiam manter suas roupas e não precisavam raspar os cabelos, o que era considerado um privilégio, mas continuariam a usar a Estrela de Davi amarela, que definia por si só, a raça de quem a usava. Nanette e a mãe em um alojamento, o pai e o irmão em outro. Sempre que possível a família se reencontrava no pátio. “Era melhor nos manter unidos. Até porque pai e mãe é o porto seguro de uma criança. Eles eram o meu”, Nanette adquire uma expressão nostálgica, saudosa, e mais uma vez precisa retomar o fôlego. A rotina de ali em diante, foi a busca pela sobrevivência. Os soldados de Bergen-Belsen matavam sem dó, tanto pela desnutrição, quanto nas câmeras de gás. Havia contagem de prisioneiros todos os dias. Prisioneiros desapareciam todos os dias, outros não se moviam, “não tem problema”, diziam os soldados, “já devem estar mortos”. Ali o nazismo se mostrava em sua face mais cruel.

“Nada, nem o vazio da morte, me parece mais aterrador do que a sensação de estar completamente sozinha em um campo de concentração”

“No final de novembro de 1944, meu irmão procurou papai. Ele estava muito emocionado, muito abatido. Então ele nos disse ‘Papai está morto'”. Como não havia médicos nos campos e a comida, higiene e demais suprimentos necessários eram praticamente escassos, não havia como ter tratado o pai de Nanette. O coração parou abruptamente de receber seu fluxo sanguíneo. Martijn Willem teve um infarto fulminante. Há dias ele trocava o alimento, que era uma sopa aguada de repolho com nabos, por cigarros. “Não houve como salvá-lo. Isso só me levava a pensar em quem seria o próximo”, em lamúria, Nanette volta a olhar para as fotos dos pais, sorrindo.

Em dezembro de 1944 chegava ao campo uma pessoa tão ruim quando Himmler ou o próprio Hitler: Josef Kramer. Este costumava dizer que “quanto mais judeus mortos, melhor para a comunidade alemã”. A sobrevivente adquire uma expressão rígida, enfática e frisa que lá eles executavam tudo com muita naturalidade. Tudo ainda poderia piorar. No dia 4 de dezembro foi a vez do irmão, Bernard. Ele foi colocado dentro de um trem para Oranienburg, a mãe e irmã choravam e desesperavam-se. Mas nada foi capaz de mudar os planos nazistas. Depois do adeus, pouco se soube do irmão de Nanette. Só após a libertação é que a sobrevivente conseguiu uma informação, a de que Bernard não resistiu.

Era período de guerra e qualquer suprimento fazia-se essencial. Os alemães então, usaram os prisioneiros para trabalhar como escravos em batalha. No dia seguinte a deportação de Bernard, outro baque: Helene, mãe de Nanette foi transferida para Magdeburgo para trabalhar em uma fábrica de componentes de aviões.

“Eu, nessa época, já estava desolada pelas perdas, pelas dores, ausência de comida e higiene. Para mim era uma questão de tempo até a morte me levar também”, retomando o tom de coragem e o brilho nos olhos, Nanette mostra os efeitos da subnutrição: pilhas de cadáveres que faziam parte do cenário diário de Bergen Belsen.

Daquele dia em diante, esteve sozinha. Rindo ela conta de uma vez, durante a contagem, em que um soldado a pegou, tirou da fila e apontou um fuzil para sua cabeça. “Eu estava tão indiferente a ele. Tão sozinha, já tinha perdido o propósito da vida e achava que se eu tivesse que morrer, era melhor. Foi quando eu percebi que tirei dele o prazer de me matar. Ele me jogou no chão e caminhou para outra direção”, em reflexão, Nanette diz que talvez sua indiferença perante a morte foi o que a manteve viva.

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Foto da Anne Frank, do arquivo pessoal da Nanette

Em dezembro, já se passavam de mais de 15 mil prisioneiros no campo. Em janeiro de 1945 as coisas pioraram. O piolho e o tifo se alastravam no campo, matando um a um. Além da desnutrição, que tirava o ânimo e acabava matando muito dos judeus. Foi quando Nanette, já sem esperanças e sozinha, através do arame farpado, enxergou um rosto amigo. Como não se podia chegar perto da divisão entre os subcampos, pois corriam o risco de morrer, a jovem não tentou aproximação da amiga. Foi em um dia de caos, após a desorganização nazista perante a guerra, que Nanette percebeu que o arame farpado já não a separava de Anne Frank. Resolveu atravessar o espaço. Havia uma grande possibilidade de Anne já estar morta, quando a vira pela cerca a menina estava fraca, magra, debilitada, já não possuía mais os cabelos.

“Não me contive de ansiedade, gritei ANNE!. Quando ela me viu, as lágrimas rolaram, corremos para nos abraçar. Ela estava embrulhada em um cobertor, não aguentava mais a roupa ‘empestiada’ de piolhos, tremia de frio, e era um esqueleto. Eu até hoje não sei como dois esqueletos, eu e Anne, puderam se reconhecer”, Nanette é tomada por expressões alegres, ela ria.

Anne contou a Nanette que ela queria transformar suas anotações dos papéis surrados do diário em livro. “Estávamos sonhando com isso, mas nem sabíamos mais se esses papéis existiam. Encontrei com ela várias vezes, até que ela ficou mal e foi para uma barraca, depois disso nunca mais a vi”, conta Nanette. Anne Frank foi tomada pelo tifo e não resistiu. Seu diário foi posteriormente publicado, em uma sugestão e gesto de memória de Otto Frank, pai de Anne, que havia, como Nanette, sobrevivido ao Holocausto. “Eu fui uma das primeiras pessoas que leu o diário de Anne Frank”, orgulha-se.

A Guerra estava acabando e o campo estava infestado por seres humanos contaminados por doenças contagiosas. Além do tifo, havia a tuberculose, febre tifoide e disenteria, causando ainda mais mortes do que o normal. Em 8 de abril de 1945, Bergen Belsen já estava lotado, mas os nazistas estavam desesperados, eles estavam encurralados. A população no campo já ultrapassava sessenta mil. “Eu já conseguia ouvir o som da guerra. Foi no dia 12 de abril que foi possível ver dois alemães levantarem duas bandeiras brancas para as tropas britânicas próximas ao campo de Bergen Belsen. Era o fim da guerra”.

Os ingleses haviam vencido a batalha nazista. Os alemães foram obrigados a deixar os campos de concentração, para que os ingleses tomassem conta. Logo na entrada do campo, os britânicos topavam com uma placa de alerta “perigo! Tifo”. Se deparavam com as pilhas de corpos espalhadas pelo campo, com enfermos à beira da morte. “Eu me lembro desse dia como se fosse hoje! Eles pegaram um megafone e gritaram: ‘vocês estão seguros agora. Os alemães foram embora. Comida e água chegarão logo’”. Josef Kramer não fugiu como os outros membros da SS. Ele permanecera ali, para receber a tropa inimiga que, após fazer o reconhecimento do campo, fora fazer a prisão de Kramer. Logo que os ingleses chegaram em Bergen Belsen, chamaram o campo de “The Horror Camp” ou “O Campo do Horror”.

john e nanette

Nanette e John Konig, atualmente o casal vive em São Paulo

Logo após Nanette se alimentar, sentiu necessidade de avisar sua família que estava viva. Foi pensando nisso que procurou um homem que estava sentado em sua mesa, fazendo anotações. Leonard Berney foi o responsável de enviar à família de Nanette, na Inglaterra, um aviso de que ela havia sobrevivido. A carta, datada em 21 de abril de 1945, está amarelada e gasta com o tempo e a grafia do nome de Nanette está errada. Leonard informou que ‘Ninette’ estava viva. “Depois disso fui mandada de volta para a Holanda para tratamento psiquiátrico. Lá eu ganhei tutores. Mas eu queria mesmo era ficar com a minha família, em Londres. Eu já sabia que minha mãe e meu irmão estavam mortos, agora tinha uma vida nova a construir. Fui morar com as minhas tias, na Inglaterra”.

– Dona Nanette, quando a senhora veio para o Brasil?

Conheci John Konig, meu marido, sabia que me casaria com ele, viemos morar no Brasil pouco tempo depois de me casar com ele. John trabalhava aqui e eu sabia que se me casasse com ele, precisaria me mudar também.

– Dona Nanette, como foi para a senhora vir para o Brasil?

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Para Nanette Konig, sua indiferença perante a morte foi o que a manteve viva.

Completamente novo e diferente, eu estava sozinha novamente. Depois que tive meus filhos resolvi estudar. Meu pai sempre quis que eu estudasse. Então eu fui estudar economia na USP, em memória dele. Para que, de onde ele estiver, ele se orgulhe de mim.

– A senhora encontrou sua paz, Dona Nanette?

Encontrei uma forma de viver a minha vida da melhor maneira possível. Não ignorando o meu passado, mas vivendo o meu presente.

Apoiada em uma bengala, dona Nanette me acompanha até a saída. Ela explica que, o suporte da bengala é uma marca que o holocausto deixou na vida dela para sempre. A desnutrição dentro do campo de concentração, deixou os ossos de Nanette fracos demais para sustentar o próprio corpo. Ironias da vida. Ela se despede: Shalom!

– Shalom, Dona Nanette!

Anne FrankHolocaustoNannete KonigNazismo

Léo Barbosa • 19/08/2016


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