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O VOO DE NATHAN

por Hugo Bento

Abriu em mim um susto; porque: passarinho que se debruça – o voo já está pronto!

(ROSA, 1956/1994, p.11)

“O meu nome é Nathan, tenho 21 anos e sou um homem trans”. Com essa frase, comumente esperada no início de uma conversa, Nathan encerrou a entrevista que me concedeu na quinta-feira, dia 10 de agosto, em um café do Centro de Belo Horizonte. Em um clima de descontração, regado à calda de chocolate e algumas sinceras gargalhadas, esse meu encontro com o rapaz não foi o primeiro. Dias antes nos conhecemos em um evento organizado pelo FECTIPA MG (Fórum de Erradicação e Combate ao Trabalho Infantil e Proteção ao Adolescente de Minas Gerais), dedicado à diversidade sexual e de gênero.

Naquela ocasião, compusemos uma mesa / roda de conversa, sobre as questões do Mundo do Trabalho e a realidade de vida das pessoas LGBT. Despertou-me a atenção o jeito leve e de fácil compreensão com que Nathan aborda assuntos densos, como a patologização das identidades trans e o processo de transição por meio do tratamento médico-hormonal, a partir de sua própria experiência de vida.

Nas palavras do jovem estudante de Engenharia de Transportes, “desde cedo percebi que as coisas da vida não são todas boas ou todas ruins”, e, ainda, “em tudo é possível pegar algo de positivo, aprender alguma coisa, tirar um proveito”. Interessado em ouvir com um pouco mais de detalhes “as coisas da vida” de Nathan, principalmente por essas não serem por ele concebidas em uma lógica binária – ou só isto, ou só aquilo –, a entrevista se deu e resultou no texto que aqui compartilho com vocês, leitores do História Incomum, por meio do Projeto Diadorim.

Descobertas

Apesar de não ser um leitor dos manuais de Astrologia, Nathan diz perceber em seu jeito de viver muitas das características atribuídas aos que nasceram sob a influência do signo de Touro – “principalmente o conforto e o prazer, são coisas muito importantes para mim.. (risos).”. A respeito de sua infância, Nathan diz ter enfrentado “algumas situações de constrangimento devido à minha não identificação com o gênero feminino desde pequeno”, mas ter sido essa caracterizada por “muita liberdade para brincar, me divertir com qualquer brincadeira, mesmo sendo questionado quanto a isso”.

“Talvez, se a escola em que eu estudei deixasse eu brincar com maior liberdade, levar a minha bola, haveria um questionamento por parte dos pais dos outros alunos ou da comunidade ao redor… Acho que isso não é um problema só da escola, mas da sociedade em que a escola faz parte”

Nathan cita os jogos de futebol e as partidas de bolinha de gude, “descalço, na rua”, somados às pipas e aos papagaios, como atividades que lhe fizeram “uma criança alegre, feliz”. Afirma ter se deparado com a divisão de gênero das brincadeiras infantis – brincadeiras de menino e brincadeiras de menina – desde cedo, não por causa da restrição de uma ou de outra recreação por parte de seus pais, mas devido “ao estranhamento e ao questionamento das pessoas do por que eles não me impediam de brincar de bola, por exemplo”.

Conta lembrar-se de momentos agradáveis da escola quando criança, mas afirma que “não gostava de ter que usar short saia e não poder levar a minha bola, mas ter que levar boneca, no ‘dia do brinquedo. Eu queria ir fantasiado de Power Ranger para a escola, mas não podia, tinha que ir de arquinho, maria-chiquinha, short saia…”. Qual dos Power Ranger você mais gostava? – pergunto, enquanto rimos.

“Não tinha um em específico, era mais pela minha afinidade com a cor: o vermelho”, responde e gargalhamos. “Cerca de vinte, quinze anos atrás, as questões de gênero não eram discutidas como hoje. Talvez, se a escola em que eu estudei deixasse eu brincar com maior liberdade, levar a minha bola, haveria um questionamento por parte dos pais dos outros alunos ou da comunidade ao redor… Acho que isso não é um problema só da escola, mas da sociedade em que a escola faz parte”, observa Nathan.

Apesar de o clima de liberdade e a pouca interferência dos seus pais em suas brincadeiras, socialmente definidas como “de menino”, Nathan recorda uma situação em que a sua mãe, “talvez por já perceber algo da minha identidade de gênero”, foi até a escola conversar com a diretoria. Nessa conversa, “ela perguntou sobre a minha preferência pela bola às bonecas e a diretora da escola disse a ela que era algo comum, algo de criança”. Contudo, “essa conversa da minha mãe com a diretora da escola eu vejo que mostra que minha mãe teve um alerta, uma espécie de sinal sobre mim, e acho que ela associou, ali, as minhas brincadeiras à uma futura homossexualidade”.

Sobre a distinção da experiência homossexual e da transexualidade, Nathan relata ter vivido, nos primeiros anos da adolescência, um romance com uma garota da escola e, “na época, eu ainda me vestia como menina, usava short saia (risos), era um segredo, e eu não tinha conversado com a minha família sobre isso até que as coisas começaram a estourar”.

Quanto ao estouro, Nathan refere-se ao fato de a sua tia ter “descoberto o histórico do MSN” com conversas com a garota com quem relacionava-se à época. “Tinha que ter uma rede social no meio da história”, afirma sorrindo. O rapaz classifica o acontecimento como “trágico”, uma vez que os seus pais ficaram sabendo de seu enamoramento e manifestaram-se contra “não pela agressividade, mas pela tristeza”.

Ao ter percebido o entristecimento de seus pais devido ao seu envolvimento amoroso com uma mulher, Nathan diz ter se perguntado se “estava errado”; afirma que “vê-los daquele jeito me tomou de um jeito que me fez pensar que eu estava fazendo algo muito errado”.

Segundo o jovem, da tristeza, os seus pais passaram, então, a demonstrar sentimento de culpa, “principalmente a minha mãe”: “Ela não conseguia ver o meu desejo como algo normal, como alguma coisa aceitável e, aí, ela começou a buscar explicações, motivos, do porque eu gostar de mulher… Ela achava que o meu desejo por mulher era resultado de ela não ter sido uma mulher exclusivamente de casa. Ela se culpava e dizia que se ela tivesse ficado dentro de casa, cuidando dos filhos o tempo todo, não tivesse trabalhado fora, eu não teria preferido as mulheres…”.

A “primeira” puberdade chegou na vida de Nathan “muito cedo”. De acordo com o relato do jovem, “aos doze anos eu já tinha seios, as curvas do corpo estavam bem definidas e eu aparentava ser uma mulher mais velha, mais madura, do que a idade que constava em meus documentos”. Devido a esse amadurecimento do corpo, Nathan diz perceber que “atraía o olhar e a atenção dos homens”, mas que isso o incomodava, “primeiro por causa da idade, pois, apesar de parecer uma pessoa mais velha, eu era adolescente, depois, por causa do meu desejo, mesmo”.

Nos anos iniciais da adolescência, as vestimentas de Nathan eram divididas em duas categorias: “roupas que usava na rua e roupas que usava em casa”. As roupas que usava na rua eram femininas, com decotes, calça justa. As roupas que usava em casa eram shorts de futebol, camisetas de bandas, “qualquer roupa que não me lembrasse uma imagem feminina”.

Apesar de o jovem, “hoje”, identificar alguns indícios de que a sua identidade de gênero já se mostrava na infância e nos anos iniciais da adolescência, na época da “primeira puberdade”, a certeza que tinha é que: “eu gostava de mulher”.

A possibilidade de “transicionar o gênero” só se mostrou para o jovem posteriormente. Ainda sobre a época em que não havia considerado a possibilidade de transição, Nathan diz saber que havia, “por parte dos meus pais, principalmente a minha mãe”, uma expectativa de reorientação sexual – “eles acreditavam que, por meio da religião, da fé, Deus ia me curar… Eles tinham a certeza que eu ia ser liberto de algum espírito que influenciava as minhas escolhas e preferências e eu iria testemunhar para muitas pessoas sobre a minha cura”.

Nesses momentos cruciais de sua adolescência, Nathan contou com a presença de sua avó que, “nunca” o “tratou com preconceito”, e sempre se mostrou como alguém disposto a ajudar. A avó de Nathan lhe pediu que consultasse com um psicólogo e iniciasse um tratamento psicoterápico, a fim de que pudesse enfrentar com maior tranquilidade aquela etapa. Nas palavras de Nathan, “ela me deu suporte”.

Entretanto, o profissional com o qual o tratamento iniciou-se atendia o jovem “com uma Bíblia na mesa, porque era um padre”. Segundo Nathan, “o padre-psicólogo” acreditava em reorientação sexual e, “apesar de ele conduzir as sessões como se fosse provocar uma mudança em meu desejo, eu aproveitava aqueles momentos com ele para apreender algo da minha personalidade”.

Antes que eu perguntasse sobre como isso era possível, Nathan contou-me um exemplo que ilustra, com precisão, esse (inesperado) trabalho: “Ali, com aquele padre-psicólogo, eu fui me dando conta da transexualidade. Em uma sessão ele me perguntou: – Se você vê um casal em uma praça se beijando, você se identifica com qual posição, com o homem ou com a mulher? Eu respondi que era com o homem, é claro! Ele falou ‘não, não pode ser!’. Aí ele começou a questionar, a falar que já havia atendido casos semelhantes ao meu e que por meio do tratamento com ele pessoas já haviam se reorientado…”.

Nathan ainda conta que: “atendimentos como esse, foram o pior e o melhor que podia ter me acontecido naquela época, pois ali eu comecei me apropriar das minhas questões trans”, devido a intervenções do tipo: “Em uma dessas vezes em que ele falou sobre os casos bem-sucedidos de tratamento que ele realizou, ele me disse de uma paciente que usava faixa para comprimir os seios e, depois de algumas sessões com ele, passou a usar saia, a deixar os cabelos compridos, e tal… Aí eu descobri o binder! (risos)”.

Considero importante registrar, nesse momento, que, apesar de Nathan ter feito um uso interessante e muito criativo das sessões com o “padre-psicólogo”, aproveitando-se daquele espaço de fala e de conversa de uma maneira peculiar, abordagens como a que foi adotada por esse profissional com que o jovem teve contato na adolescência não são recomendadas ou reconhecidas pelo Conselho Federal de Psicologia.

Ao contrário. Por meio da Resolução CFP Nº 001/99 de 22 de março de 1999, o Conselho Federal de Psicologia do Brasil resolve que os profissionais psicólogos, por meio de suas atuações em diferentes contextos, contribuirão para o desaparecimento do preconceito e do estigma contra as diferentes homossexualidades e, ainda, que “os psicólogos não exercerão qualquer ação que favoreça a patologização de comportamentos ou práticas homoeróticas, nem adotarão ação coercitiva tendente a orientar homossexuais para tratamentos não solicitados” (CFP, 1999). O adoecimento psicológico está na homofobia e no preconceito, não reside no desejo sexual e na atração erótica por pessoas do mesmo sexo.

Transição

Após a declaração de seu relacionamento afetivo com uma garota, por volta de 14 anos de idade, Nathan sentiu-se “mais à vontade para usar tênis, camisetas de banda, peças de vestuário masculino”. Contudo, foi no final da adolescência, “por volta dos 18 anos”, que “uma decisão” pela transição, “com tratamento, mesmo”, ocorreu para Nathan. Segundo o jovem, alguns “acontecimentos” lhe foram “importantes” para essa tomada de decisão:

“Assistir o Big Brother com a participação da Ariadna, uma mulher trans, me mostrou algumas coisas sobre as possibilidades de transição e me instigou a começar a pesquisar as diferenças de identidades de gênero. Primeiro, eu pensava que só era possível a transição do masculino para o feminino e, depois, pesquisando, cheguei à história do João Nery. João Nery foi uma referência importante para mim”.

Por meio das pesquisas na internet sobre identidade de gênero e, também, a leitura do livro do João Nery (Viagem Solitária: Memórias de um transexual trinta anos depois, Editora Leya, 2012), Nathan iniciou um movimento de nomeação e conceituação de elementos que eram vivenciados em seu dia-a-dia. Entretanto, sua mãe, também, iniciara um movimento de pesquisa e investigação na internet, “eu via pelo histórico do navegador da internet que ela pesquisava sobre tratamentos, curas e reversão da transexualidade”.

O jovem afirma que, “na época”, sentia-se “afrontado”, “desrespeitado”, e que “durante muito tempo”, ele e a mãe viveram “em pé de guerra, em clima de guerra”. Tensão que durou, de acordo com Nathan, “até que a paz reinou em casa”. – O que aconteceu para que a paz reinasse em sua casa?, perguntei. “Muita luta, muita informação jogada, um debatia com o outro… Até que fui acolhido e ela me recebeu de uma forma muito bonita. Hoje ela me apresenta como filho dela”, conta emocionado.

Ainda um pouco interessado em localizar um momento ou uma situação decisiva para que sua mãe o acolhesse como filho, estendi a entrevista com Nathan até que chegamos a conversar sobre o percurso traçado pelo jovem após a conclusão do Ensino Médio. Dois elementos, “importantes”, surgiram, então: o espetáculo final do Curso de Circo e a intervenção de sua avó.

Ao terminar os estudos no nível secundário, Nathan participou de um processo seletivo do Programa Valores de Minas, matriculando-se, quando aprovado, no Curso de Circo. A experiência, nos termos por ele utilizados, “foi muito rica, devido aos conceitos de vida que encontrei naquele lugar…”.

O jovem refere-se às aulas, às técnicas de dinâmicas de grupos e aos momentos ali vivenciados como “animadores”, “bonitos demais”, para a sua decisão de transicionar. Com alegria, relembra alguns detalhes do trabalho de conclusão do curso realizado no Valores de Minas e conta que “teve o espetáculo final, que apresentamos no Palácio das Artes, e eu apresentei um personagem masculino. A roupa, tatuagens, tudo associado à figura masculina. Aquilo, de alguma forma, me deu uma força a mais, um estímulo a mais na personalidade…”. Ainda sobre esse espetáculo final na conclusão do curso, “meus pais, amigos, colegas foram e o meu nome, no programa do espetáculo, apareceu como Nathan Neubaner”.

Sobre a avó e o reconhecimento de seu nome, o jovem conta que a mãe de sua mãe, “aquela, tranquila, que ajudou no começo da adolescência”, demonstrando “aceitação”, passou a chama-lo, “em toda situação, sempre, de Nathan”. Daí, desse ato de nomeação empreendido pela avó materna, Nathan testifica: “Depois disso, dela ter me chamado de Nathan, os meus tios, primos, os meus pais, até minha mãe, passaram a me chamar pelo meu nome”.

“O adoecimento psicológico está na homofobia e no preconceito, não reside no desejo sexual e na atração erótica por pessoas do mesmo sexo”

O carinho, a expressão de amor e o reconhecimento, após a atitude da avó de Nathan, demonstrados por seus pais, o jovem, com alegria, compartilha comigo: “A aceitação, por parte dos meus pais, eu senti, aconteceu em meu aniversário. Você sabe, eu trabalho como garçom e eu havia decidido trabalhar normalmente no dia do meu aniversário. Cheguei em casa tarde e imaginei que os três, meu pai, minha mãe e minha irmã, estariam dormindo. Mas não. Minha mãe tinha feito um bolo e eles estavam acordados, me esperando. Cantaram parabéns pra mim, Só os três. E eles falaram o nome, ‘parabéns Nathan!’”.

Violência simbólica

Escutar Nathan suscitou-me reflexões. Algumas destas compartilho a seguir, outras, em ocasião oportuna o farei. Das reflexões que aqui decido compartilhar, destaco a violência simbólica e a naturalização das questões de gênero.

Pierre Bourdieu (1930 – 2002), pensador crítico que influenciou – e influencia – toda uma geração de educadores, sociólogos e pesquisadores das Ciências Humanas, em A Reprodução: Elementos para uma teoria do sistema de ensino (Editora Vozes, 2008), originalmente publicado em 1970, apresentou suas considerações a respeito da violência simbólica e sua materialização nas instituições.

De forma geral, Bourdieu (1970/2008) revela-nos, por meio de sua obra, que há uma tendência institucional de naturalizar processos socialmente construídos, fazendo com que as qualidades de dominação implicadas em ações cotidianas – como os brinquedos e as brincadeiras das crianças e suas associações com o gênero, por exemplo – não sejam, sequer, notadas. Por meio do exercício de autoridade, a violência simbólica é praticada pelas instituições e nas instituições, reproduzindo um fazer naturalizante da vida social, impedindo a crítica, o questionamento, a proposição de alternativas.

Caracterizada por esse fazer com que sejam vistos como naturais os elementos da vida social, a violência simbólica incide sobre a história relatada por Nathan, de uma maneira que muito me despertou a atenção, na infância, quando afirma que “não gostava de ter que usar short saia e não poder levar a minha bola, mas ter que levar boneca, no ‘dia do brinquedo’” na escola. Na interdição à bola, por ter nascido com uma genitália socialmente associada ao gênero feminino, revela-se um processo de dominação (sutil, ou não…) transmitido como se fosse natural pela instituição escolar.

Uma vez que o gênero, enquanto uma construção social, não é dado pela natureza, cabe-nos, então, em uma perspectiva crítica, atentarmo-nos para as condições históricas, os elementos culturais e econômicos que o constitui. Desnaturalizar, no meu entender, implica, então, em historicizar. Contudo, para além da construção mais ampla [e abstrata] do gênero, Nathan nos mostra a apropriação singular que realizou deste, levando-nos a contactar algo disso que, em literatura psicológica, convencionou-se chamar “identidade de gênero”. Nessa dimensão – a do uso característico que cada sujeito faz de uma convenção socialmente instituída – poderíamos pensar em algo que ultrapassa a historicização…

O ir além da historicização, a partir de uma brincadeira com a palavra, fica para outro texto. Por ora, concluir.

É notável a conexão de Nathan com sua família. Alegra-me saber que, após um período de “muita luta”, os vínculos afetivos fizeram-se notar e “a paz” tornou-se possível. O amor, demonstrado em detalhes da história desse jovem, certamente, é o caminho. À guisa de conclusão: Nathan, meu Power Ranger favorito era o preto.

 

Hugo Bento é psicólogo (CRP 04/39401), mestre em Psicologia / Processos de Subjetivação pela PUC Minas (2016). Foi bolsista de mestrado pela FAPEMIG e tem se dedicado ao estudo e à pesquisa das questões referentes ao gênero e à sexualidade na perspectiva psicanalítica. Publicou o livro “O desejo de filho na adoção homoparental”, fruto de sua dissertação de mestrado, e atua em consultório particular de Psicanálise e em políticas públicas destinadas à adolescentes e jovens em MG.

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Léo Barbosa • 21/08/2017


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